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Sempre fui fascinada por investigações criminais difíceis de serem resolvidas; quando mais nova acompanhava alguns desses programas que mostram casos arquivados jamais solucionados e quebrava a cabeça tentando decifrar algo que os especialistas que ali apresentavam suas pesquisas e teorias pudessem ter deixado passar. Quando recebi este livro para resenhar, de cara o título aguçou minha curiosidade! E no decorrer até o final da leitura me senti acompanhando à autora em cada difícil etapa da busca pela verdade.

Dentre os serial killers mais famosos, existe um em especial que ficou mundialmente conhecido até mesmo por aqueles que são leigos no assunto: Jack, o Estripador. Um assassino da era vitoriana que se passava por cliente para atrair prostitutas e depois assassiná-las de forma brutal; não bastando, a figura provocava às autoridades enviando cartas e deixando pistas propositais nos locais do crime. Mas suas técnicas eram sofisticadas o bastante para ter o cuidado de nunca revelar sua identidade, o que ocasionou no aumento da fama por trás da curiosidade e mistério que envolvem seus crimes. A especulação por trás dos suspeitos pelos 5 assassinatos atribuídos à “Jack” não é pequena (basta uma pesquisa rápida no Google para ver mais de 25 nomes, a maioria homens, investigados tanto na época, quanto levantados anos após os assassinatos), embora tenham ocorrido no ano de 1888, nos arredores de Whitechapel, localizada num bairro carente na época, em Londres.

Em março de 1992, Doreen Montgomery, agente literária de Shirley Harrison, havia recebido uma ligação de alguém que dizia ter o verdadeiro diário de Jack, o Estripador e desejava publicá-lo. Foi com essa ligação que se iniciou a vida desta obra, e as pesquisas para tentar chegar à conclusão se o diário era verdadeiro ou uma falsificação. Inicialmente, é importante saber que ele originalmente pertenceu a James Maybrick, um distinto comerciante de algodão que faleceu em 1889, com suspeita de envenenamento por arsênico, conforme divulgado na época; após verificada essa informação, o mais intrigante no diário (fora seu conteúdo bruto) é sua última página, datada de 3 de maio de 1889 assinada como “Jack, o Estripador”.

Shirley Harrison é meticulosa em sua escrita; ela não tenta convencer o leitor a crer na culpa de Maybrick ou na autenticidade do diário, ela vai além e nos mostra o material que coletou durante os 5 anos de extensa pesquisa em que esteve envolvida para esta publicação (contando com as edições anteriores até chegar a esta revisada, contendo materiais que complementaram seu estudo). Como base de sua teoria quanto ao diário ser verdadeiro em todos os aspectos, Harrison teve o cuidado de remontar toda a história por trás do diário, mesclando datas e endereços (confirmadas por documentos, jornais e outros registros), trechos de relatórios que obteve, sem esquecer das importantes reconstituições que fez sobre a vida, família e os passos identificáveis de Maybrick.

É uma leitura bastante simplificada apesar de científica, sem se preocupar muito com a linguagem técnica; envolve o leitor interessado em investigação criminal de forma profunda, do início à última página, e sem perceber, no decorrer adquirimos a certeza de que Jack é mesmo James Maybrick. Para completar, na sequência do último capítulo, constam mapas marcados com os locais freqüentados por Maybrick e pelo Estripador, fotografias e, o mais interessante na minha opinião, um fac-símile com transcrição traduzida do conteúdo original do diário.

 O Diário de Jack, O Estripador

Autora: Shirley Harrison.

Editora: Universo dos Livros.

Páginas: 504.

Ano: 2012.

 

Em 07/09/12  |  Resenhas, Universo dos livros

Escritora de minuto por paixão, amor e loucura. Em sua mochila sempre carrega um livro, caderno e caneta. Blogueira desde cedo, atualmente cursa jornalismo, trabalha como freelancer na área e é a criadora do projeto literário O Folhetim.
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