TROVADORISMO – RESUMO: CARACTERÍSTICAS, CONTEXTO HISTÓRICO, PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS DA ESCOLA LITERÁRIA

Então você que quer saber mais sobre o Trovadorismo? Logo abaixo tem um texto bem detalhado com resumo e características, contexto histórico e exemplos de cantigas, mas antes de começarmos, que tal dar uma olhada nessa vídeo aula? É uma ótima forma de pegar os conceitos ou revisar o que você já sabe!

Trovadorismo: resumo e características da escola literária

O movimento literário trovadoresco nasce em Portugal, no século XII. Nele, a literatura era cantada (não escrita). E quem cantava eram os trovadores (quando de origem nobre) e o jogral (quando da plebe).

Eles compunham as cantigas (do amigo, do escárnio e do mal-dizer) e cantavam suas melodias.

Contexto histórico do trovadorismo

O que você precisa saber sobre essa escola literária é que a nossa sociedade completamente diferente. Não era só comprar um livro alguma loja on-line e esperar o carteiro trazer no conforto da sua casa.

O trovadorismo surge ali por volta do século XII, em plena idade média lá em Portugal, que ainda estava em processo de formação. Na verdade, nem se imprimia livros loucamente igual hoje.

É importante lembrar que esse foi o primeiro movimento literário português de que se tem registro e foi predominante até o século XIV, onde começamos a ver mais sobre o Humanismo.



Cantiga de amigo: definição e exemplo

A cantiga de amigo era a mais pop de todas. Era tipo a Lady Gaga deles – ou Anitta, ou Anira, como preferir. Esse tipo de cantiga geralmente tinha repetições e refrão na letra, o que só tornava a música mais chiclete (conceito de música chiclete: coração não é tão simples quanto pensa nele cabe o que não cabe…).

Embora as canções sempre fossem escritas por homens, afinal de contas, estamos falando de idade média, o eu-lírico das cantigas de amigo eram sempre mulheres. Meninas, jovens, que cantavam sobre seu amigo (palavra usada pra definir o crush naquela época), sobre como estavam descobrindo o amor e estavam apaixonadas e tal. Toda aquela coisa do primeiro amor. Geralmente as cantigas eram construídas como se essa jovem estivesse contando toda a sua história de amor pra alguém: uma mãe, uma tia, uma amiga, enfim, quem estivesse ali para ouvir.

Exemplo de cantiga de amigo

Paráfrase

Ondas do mar de Vigo
Se vires meu namorado!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Ondas do mar revolto,
Se vires o meu namorado!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Se vires meu namorado,
Aquele por quem eu suspiro!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Se vires meu namorado
Por quem tenho grande temor!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Cantiga de amor: definição e exemplo

Aqui é pra quem gosta de ouvir música triste olhando pela janela do busão. A cantiga de amor é a de sofrência, de cantar no karaokê com os amigos, etc. Geralmente, a cantiga era um homem, falando da sua mulher amada de um jeito mega apaixonado, sofrendo por não estar com essa pessoa amada – que, é claro, era idealizada, perfeita, linda, fofa, querida, etc.

Exemplo de cantiga de amor

“Senhora minha, desde que vos vi,
lutei para ocultar esta paixão
que me tomou inteiro o coração;
mas não o posso mais e decidi
que saibam todos o meu grande amor,
a tristeza que tenho, a imensa dor
que sofro desde o dia em que vos vi.” 



Cantiga do escárnio e maldizer

Essa cantiga era tipo textão do Facebook. Era a cantiga da indiretinhas. Era a cantiga das inimigas. As cantigas de escárnio e maldizer eram as mais abrangentes, porque falavam de tudo: do dia a dia das pessoas, dos políticos, dos comportamentos sexuais de uns e outros por aí… e faziam sátira de tudo isso, tiravam sarro mesmo, usando ironia e até agressão verbal.

A diferença entre a cantiga de escárnio e do maldizer é que a de escárnio era mais irônica, mais sutil e a do maldizer era direta, falava tudo na cara, com direito a palavrão e tudo.

Exemplo de cantiga de escárnio e maldizer

Ai! dona feia! Fostes vos queixar
Porque nunca vos louvei em meu trovar
Mas, agora quero fazer um cantar
Em que vos louvarei, todavia,
E vide como vos quero louvar:
Dona feia, velha e louca!

Ai! dona feia! Que Deus me perdoe!
Pois vós tendes tão bom coração
Que eu vos louvarei por esta razão,
Eu vos louvarei, todavia;
E veja qual será a louvação:
Dona feia, velha e louca!

Dona feia, eu nunca vos louvei
Em meu trovar, mas muito já trovei;
Entretanto, farei agora um bom cantar
em que vos louvarei todavia:
e vos direi como louvarei:
dona feia, velha e louca!

CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Literatura: história & texto 1, Saraiva e 2005. p. 149-157.