HUMANISMO – RESUMO: CARACTERÍSTICAS, CONTEXTO HISTÓRICO, PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS DA ESCOLA LITERÁRIA

Você quer entender sobre o Humanismo na literatura? Seus problemas acabaram! Assista a essa rápida vídeo aula que você vai ficar craque nessa matéria! Logo abaixo, você pode acompanhar o texto com os principais pontos da desse movimento literário.

Humanismo: Resumo e características da escola literária

Você já viu aqui no Vá Ler um Livro que a primeira escola literária foi o trovadorismo. Logo em seguida a europa começou a viver o humanismo: como o próprio nome diz, nessa corrente filosófica (jeito de pensar) o ser humano passou a ser mais valorizado, lugar que antes era ocupado por Deus. Isso faz parte do processo de Renascimento, em que a Europa sai da idade de trevas (por conta da escuridão, sem investir em conhecimento científico, confiando só no teocentrismo).


Contexto histórico do Humanismo

Homem vitruviano: simbolo do humanismoNo Humanismo, o homem passou a ser o protagonista da situação. Antes disso, a igreja mandava em tudo e Deus era considerado top por todos; o nome desse movimento é Teocentrismo (Deus no centro de tudo). Com o Humanismo, o movimento mudou para o Antropocentrismo, ou seja, as pessoas no centro de tudo.

No Humanismo as poesias eram mais elaboradas e passaram a ser escritas. E não é só isso, não: os artistas começaram a dar mais valor às emoções humanas.

Porém, nessa escola literária as poesias não eram feitas para os pobres não. Nós, meros pagadores de boletos, teríamos ficado de fora desse tipo de arte! É porque a poesia feita nesse período era chamada de poesia palaciana. Só as pessoas dos palácios é que tinham acesso a esse tipo de cultura.

Também devemos ressaltar que o Humanismo está em um período de transição: entre a Idade Média e o Renascimento. Muitas mudanças? Isso porque a sociedade em si estava se transformando bastante. O humanismo está no meio do caminho entre a Idade Média, época em que a devoção pela religião era bem forte, e o Renascimento, que acreditava muito mais na razão e na ciência.

+ Teste seus conhecimentos com 6 questões sobre literatura no ENEM

Poesia Palaciana (Poesia Lírica):

Esse tipo de poesia era mais rebuscada e para um grupo mais seleto de pessoas (os nobres).  Os principais temas explorados pela poesia palaciana eram:

– Costumes da corte;

– Temas religiosos;

– Satíricos;

– Líricos;

– Heroicos.

Os poetas também usavam muita figura de linguagem e as poesias eram mais sexy (sem ser vulgar).

EXEMPLO DE POESIA PALACIANA

“Meu amor tanto vos quero,
que deseja o coração
mil cousas contra a razão.
Porque, se vos não quisesse,
como poderia ter
desejo que me viesse
do que nunca pode ser?
Mas conquanto desespero,
e em mim tanta afeição,
que deseja o coração.”

(Aires Teles)


Crônicas de Fernão Lopes (Prosa):

Os textos de Fernão Lopes já eram mais gente como a gente. Ele escrevia sobre as fofocas, digo, sobre os acontecimentos de Portugal. Suas principais obras foram: “Crônica d’El-Rei D. Pedro”, “Crônica d’El-Rei D. Fernando” e “Crônica d’El-Rei D. João I”. Fernão Lopes é considerado “Pai da História de Portugal”. Você já deve ter ouvido falar a expressão ‘um dedinho de prosa’ quando alguém quer bater um papo. É bem isso o que a prosa de Fernão Lopes representava: uma conversa.

EXEMPLO DE PROSA NO HUMANISMO-RENASCENTISMO

Capítulo I

“Razões em prólogo do auctor d’esta obra, ante que fale dos feitos do Mestre.

Grande licença deu a affeiçâo a muitos, que tiveram cargo de ordenar historias, mormente dos Senhores, em cuja mercê e terra viviam, e onde foram nados seus antigos avós, sendo-lhe muito favoraveis no recontamento de seus feitos. E tal favoreza, como esta, nace de mundanal affeiçâo, a qual não é, salvo conformidade de alguma cousa ao entendimento do homem.

Assim que a terra em que os homens, por longo costume e tempo, foram criados, gera uma tal conformidade entre o entendimento, e ella, que havendo de julgar alguma sua cousa assim em louvor, como por contrario, nunca por elles é direitamente recontada, porque louvando-a, dizem sempre mais d’aquello, e se d’outro modo não escreverem suas perdas tão minguadamente, como acontecerem, outra cousa gera ainda esta conformidade e natural inclinação, segundo sentença d’algnns, que o pregoeiro da vida é a fama, recebendo refeição, para o corpo, o sangue, e espiritos gerados de tantas viandas teem uma tal similhança entre os que causa esta conformidade. Alguns outros tiveram que isto descia na semente, no tempo de geração, a qual dispõem por tal guisa aquello, que d’ella é grado, que lhe fica esta conformidade, tambem ácerca da terra, como de seus divides, e ao que parece que o sentiu Tu-lio, quando veiu a dizer:

Nós não somos nados a nós mesmos, porque uma parte de nós tem a terra, e a outra os parentes; e porém o juizo do homem ácerca de tal terra, ou pessoas recontando seus feitos sempre copega.

Esta mundanal affeição fez alguns historiadores, que os feitos de Castella, com os de Portugal, escreveram, posto que homens de boa authoridade fossem, desviar da verdadeira estrada, e colher por semideiros escuses, por as minguas das terras de que eram em certos passos claramente não serem vistas, especialmente no grande desvairo, que o mui virtuoso Rei de boa memoria D. João, cujo regimento e reinado se segue, houve com o nobre e poderoso rei D. João de Castella, pondo parte de seus bons feitos fóra do louvor, que merecia, e evadindo em alguns outros de guisa que não aconteceram atrevendo-se a publicar esto em vida de taes que lhe foram companheiros bem veadores de todo o contrario.”

“Crônica de Dom João I”

Teatro de Gil Vicente

Esse é o cara! Gil Vicente é um dos nomes mais importantes do humanismo português.  Se o Fernão Lopes é o pai da história de Portugal, o Gil Vicente é o “Pai do Teatro Português”. Ele fazia um retrato da sociedade da época, com críticas sociais. Gil Vicente também usava de humor nas suas obras, e havia ainda presença de temas de cultura popular, como a religião, e a sátira do povo e da nobreza.

O que são autos? (textos religiosos)

Os autos eram textos de Gil Vicente que falavam sobre religião, porque, apesar de Deus não ser mais o centro de tudo, ele ainda estava presente no cotidiano das pessoas. O exemplo mais famoso desse tipo de obra dentro do Humanismo é o Auto da Barca do Inferno.

“DIABO À barca, à barca, houlá!
que temos gentil maré!
– Ora venha o carro a ré!
COMPANHEIRO Feito, feito!
Bem está!
Vai tu muitieramá,
e atesa aquele palanco
e despeja aquele banco,
pera a gente que virá.
À barca, à barca, hu-u!
Asinha, que se quer ir!
Oh, que tempo de partir,
louvores a Berzebu!
– Ora, sus! que fazes tu?
Despeja todo esse leito!
COMPANHEIRO Em boa hora! Feito, feito!
DIABO Abaixa aramá esse cu!”

Farsas (cômicas)

As farsas também eram representadas no teatro, só que eram mais curtas e mais engraçadas. O objetivo era tirar sarro do que acontecia no cotidiano. Resumindo: o que o Porta dos Fundos é hoje pra gente. ‘Farsa de Inês Pereira’ é considerada a mais perfeita obra de Gil Vicente.

EXEMPLO DE FARSA NO HUMANISMO

Canta Inês:
Quien con veros pena y muere
Que hará quando no os viere?

(Falando)
INÊS Renego deste lavrar
E do primeiro que o usou;
Ó diabo que o eu dou,
Que tão mau é d’aturar.
Oh Jesu! que enfadamento,
E que raiva, e que tormento,
Que cegueira, e que canseira!
Eu hei-de buscar maneira
D’algum outro aviamento.

Coitada, assi hei-de estar
Encerrada nesta casa
Como panela sem asa,
Que sempre está num lugar?
E assi hão-de ser logrados
Dous dias amargurados,
Que eu possa durar viva?
E assim hei-de estar cativa
Em poder de desfiados?

Antes o darei ao Diabo
Que lavrar mais nem pontada.
Já tenho a vida cansada
De fazer sempre dum cabo.
Todas folgam, e eu não,
Todas vêm e todas vão
Onde querem, senão eu.
Hui! e que pecado é o meu,
Ou que dor de coração?

Esta vida he mais que morta.
Sam eu coruja ou corujo,
Ou sam algum caramujo
Que não sai senão à porta?
E quando me dão algum dia
Licença, como a bugia,
Que possa estar à janela,
É já mais que a Madanela
Quando achou a aleluía.