ARCADISMO: RESUMO, CARACTERÍSTICAS, CONTEXTO HISTÓRICO, PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS DA ESCOLA LITERÁRIA

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Arcadismo: Resumo e características da escola literária

Simples é a palavra que resume essa escola literária. O pessoal era só paz e amor.

Se existissem nos dias de hoje, os arcadistas seriam daquela galera de humanas estereotipada, os que querem vender miçanga na praia. A principal característica dessa escola literária é que eles curtiam muito a natureza. Odiavam os problemas da cidade grande, sua futilidade, e também criticavam a igreja católica, inclusive tendo participação no processo de criação de um estado laico.


 Características do arcadismo na literatura

– crítica da vida nas cidades (Fugere urbem)

– aproveitar o dia (carpe diem)

– objetividade (Inutilia truncat )

-equilíbrio do essencial – (Aurea mediocritas)

– valorização da vida no campo (Locus amoenus)

Contexto histórico do Arcadismo

Para entender mais sobre o Arcadismo, vamos saber o que acontecia naquela época. Era o século XVIII, e a Revolução Francesa e Industrial aconteciam. As máquinas chegaram para fazer o trabalho que antes era realizado pelo homem. Com isso, as pessoas ficaram mais ricas e a burguesia aumentou. E justamente por ser também o período do Iluminismo que as pessoas só queriam saber de luz e de ideias simples, nada de complicação.

Mas não era só na Europa que estavam acontecendo novidades. Na América também. Os Estados Unidos ganharam independência e acabou a escravidão. E no Brasil ocorria o ciclo do ouro em Minas Gerais. Logo depois teve a Inconfidência Mineira.

Autores do Arcadismo

– Cláudio Manuel da Costa, com sua obra poética. Era uma poesia lírica, com um amor galante.

– Tomás Antônio Gonzaga, que também trabalhava a poesia lírica. Ficou muito conhecido pela obra “Marília de Dirceu”, um marco do arcadismo.

Exemplo de poesia arcadista

SONETO XCVIII

Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci! Oh, quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

(Cláudio Manuel da Costa, Obras Poéticas)




Tomás Antônio Gonzaga e sua obra mais famosa,”Marília de Dirceu“, também uma poesia lírica. Ele é o Dirceu da história. Usou um pseudônimo, pois era perseguido. (Assim como J.K. Rowling usou o nome “Robert Galbraith” para assinar “O Chamado do Cuco” e os outros livros dessa série. Só que ela era perseguida pelo sucesso). Veja um trechinho de seu renomado poema:

Marília de Dirceu

De amar, minha Marília, a formosura
Não se podem livrar humanos peitos.
Adoram os heróis; e os mesmos brutos
Aos grilhões de Cupido estão sujeitos.
Quem, Marília, despreza uma beleza,
A luz da razão precisa;
E se tem discurso, pisa
A lei, que lhe ditou a Natureza.

Cupido entrou no Céu. O grande Jove
Uma vez se mudou em chuva de ouro;
Outras vezes tomou as várias formas
De General de Tebas, velha, e touro.
O próprio Deus da Guerra desumano
Não viveu de amor ileso;
Quis a Vênus, e foi preso
Na rede, que lhe armou o Deus Vulcano.

 Mas sendo amor igual para os viventes,
Tem mais desculpa, ou menos esta chama:
Amar formosos rostos acredita,
Amar os feios de algum modo infama.
Que lê que Jove amou, não lê nem topa,
Que ele amou vulgar donzela:
Lê que amou a Dâna e bela,
Encontra que roubou a linda Europa.

 Se amar uma beleza se desculpa
Em quem ao próprio Céu, e terra move:
Qual é a minha glória, pois igualo,
Ou excedo no amor ao mesmo Jove?
Amou o Pai dos Deuses Soberano
Um semblante peregrino:
Eu adoro o teu divino,
O teu divino rosto, e sou humano.

“Lira 3ª”, da Primeira Parte de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga 

Basílio da Gama também teve obras consagradas no Arcadismo, que pertenciam ao estilo de poesia épica, em que grades histórias eram contadas. É o caso de “O Uraguai”, um de seus livros mais famosos. Foi a primeira vez que o indígena apareceu na literatura.

 

O Uraguai

“…….. Mais de perto
Descobrem que se enrola no seu corpo
Verde serpente, e lhe passeia, e cinge
Pescoço e braços, e lhe lambe o seio.
Fogem de a ver assim, sobressaltados,
E param cheios de temor ao longe;
E nem se atrevem a chamá-la, e temem
Que desperte assustada, e irrite o monstro,
E fuja, e quem apresse no fugir a mortes
Porém o destro Caitutu, que treme
Do perigo da irmã, sem mais demora
Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes
Soltar o tiro, e vacilou três vezes
Entre a ira e o temor. Enfim sacode
O arco faz voar a aguda seta,
Que toca o peito da Lindóia, e fere
A serpente na testa, e a boca e os dentes
Deixou cravados no vizinho tronco.
Açouta o campo côa ligeira cauda
O irado monstro, e em tortuosos giros
Se enrosca no cipreste, e verte envolto
Em negro sangue o lívido veneno.
Leva nos braços a infeliz Lindóia
O desgraçado irmão, que ao despertá-la
Conhece, com que dor! No frio rosto
Os sinais do veneno, e vê ferido
Pelo dente sutil o brando peito.
Os olhos, em que amor reinava, um dia,
Cheios de morte, e muda aquela língua
Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezes
Contou a larga história dos seus males.
Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,
E rompe em profundíssimos suspiros,
Lendo na testa da fronteira gruta
De sua mão já trêmula gravado
O alheio crime e a voluntária morte.
E por todas as partes repetido
O suspirado nome de Cacambo.
Inda conserva o pálido semblante
Um não sei quê de magoado e triste,
Que aos corações mais duros enternece.
Tanto era bela, no seu rosto a morte!”

(Basílio da Gama, O Uraguai)

Por último, mas não menos importante, temos como destaque desse período Frei Santa Rita Durão. Seu livro mais famoso é “Caramuru“, que faz parte do estilo de poesia épica.

 

Caramuru

Na boca, em carne humana ensangüentada,
Anda o beiço inferior todo caído,
Porque a têm toda em roda esburacada,
E o labro de vis pedras embutido;
Os dentes (que é beleza que lhe agrada)
Um sobre outro desponta recrescido;
Nem se lhe vê nascer na barba o pêlo,
Chata a cara e nariz, rijo o cabelo.

(Frei Santa Rita Durão, Caramuru)