Gabarito ENEM 2017 completo – Primeiro dia

Sabemos que a ansiedade para saber o gabarito ENEM 2017 completo desse primeiro dia é grande. Por isso, nós do Vá Ler UM Livro fizemos uma live lá no canal explicando todas as questões de literatura que caíram na prova, (que são nossa especialidade). Abaixo, você pode conferir o vídeo e as respostas do caderno de questão amarelo, branco, rosa e azul e a tabela com o gabarito completo e as respostas certas para as perguntas do primeiro dia.

Gabarito do ENEM 2017 de literatura



Caderno Branco: questão 8 / Caderno Amarelo: questão 23 / Caderno Azul: questão 20 / Caderno Rosa: questão 20

Declaração de amor

“Esta é uma declaração de amor; amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutileza e de reagir às vezes com um pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa do superficialismo.
Às vezes assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montado num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos, estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.”

LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. Adpatado

O trecho em que Clarice Lispector declara seu amor pela língua portuguesa, acentuando seu caráter patrimonial e sua capacidade de renovação, é:

a) “A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve”.
b) “Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita”.
c) “Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida”.
d) “Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada”.
e) “Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida”.

Caderno Branco: questão 11 / Caderno Amarela: questão 26 / Caderno Azul: questão 23 / Caderno Rosa: questão 18

Naturalmente
ela sorria
Mas não me dava trela
Trocava a roupa
Na minha frente
E ia bailar sem mais aquela
Escolhia qualquer um
Lançava olhares
Debaixo do meu nariz
Dançava colada
Em novos pares
Com um pé atrás
Com um pé a fim

Surgiram outras
Naturalmente
Sem nem olhar a minha cara
Tomavam banho
Na minha frente
Para sair com outro cara
Porém nunca me importei
Com tais amantes

[…]

Com tantos filmes
Na minha mente
É natural que toda atriz
Presentemente represente
Muito pra mim

CHICO BUARQUE. Carioca. Rio de Janeiro. Biscoito Fino, 2006. Fragmento.

Na canção, Chico Buarque trabalha uma determinada função da linguagem para marcar a subjetividade do eu lírico ante as atrizes que ele admira. A intensaidade dessa admiração está marcada em:

a) “Naturalmente/ Ela sorria/ Mas não me dava trela.”
b) “Tomavam banho/Na minha frente/ Para sair com outro cara”.
c) “Surgiram outras/ Naturalmente/ Sem nem olhar a minha cara”.
d) “Escolhia qualquer um/ Lançava olhares/ Debaixo do meu nariz”.
e) “É natural que toda atriz/ Presentemente represente/ Muito pra mim”.


Caderno Branco: questão 14 / Caderno Amarelo: questão 41 / Caderno Azul: 32 / Caderno Rosa: 23

Segundo Quadro

Uma sala da prefeitura. O ambiente é modesto.
Durante a mutação, ouve-se um dobrado e vivas a
Odorico, “viva o prefeito!, etc. Estão em cena
Dorotéa, Juju, Dirceu, Dulcinéa, Vigário e Odorico.
Este ultimo, à janela, discursa.

ODORICO – Povo sucupirano! Agoramente já
investido no cargo de Prefeito, aqui estou para
receber a confirmação, ratificação, a autenticação e
por que não dizer a sagração do povo que me elegeu.
(Aplausos vêm de fora.)

ODORICO – Eu prometi que o meu primeiro ato
como prefeito seria ordenar a construção do
cemitério.
(Aplausos, aos quais se incorporam as personagens
em cena.)

ODORICO – (Continuando o discurso) Botando de
lado os entretantos e partindo pros finalmente, é uma
alegria poder anunciar que prafrentemente vocês já
poderão morrer descansados, tranqüilos e
desconstrangidos, na certeza de que vão ser
sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e cheirosa
de Sucupira. E, quem votou em mim, basta dizer isso
ao padre na hora da extrema-unção, que tem enterro
e cova de graça, conforme o prometido.

GOMES, D. O bem amado. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.

O gênero peça teatral tem o entretenimento como uma de suas funções. Outra função relevante do gênero, explícita nesse trecho de O bem amado, é

a) criticar satiricamente o comportamento de pessoas públicas.
b) denunciar a escassez de recursos públicos nas prefeituras do interior.
c) centuras a falta de domínio da língua padrão em eventos sociais.
d) despertar a preocupação da plateia com a expectativa de vida dos cidadãos.
e) questionar o apoio irrestrito de agentes públicos aos gestores governamentais.

Caderno Branco: questão 20 / Caderno amarelo: questão 36 / Caderno azul: questão 29 / Caderno Rosa: questão 26

TEXTO I

Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa nas obras dos grandes escritores, em cuja linguagem as classes ilustradas pões o seu ideal de perfeição, porque nela é que se espelha o que o uso idiomático estabilizou e consagrou.

LIMA, C. H. R. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro. José Olympo, 1989.

TEXTO II

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorpoaradas. Talvez proque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenuma espécie – nem sequer mental ou de sonho – transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremos se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

PESSOA, F. O livro do desassossego. São Paulo: Brasiliense, 1986.

A linguagem cumpre diferentes funções no processo de comunicação. A função que predomina nos textos I e II

a) destaca o “como” se elabora a mensagem, considerando-e a seleção, combinação e sonoridade do texto.
b) coloca o foco no “com o quê” se constrói a mensagem, sendo o código utilizado o seu próprio objeto.
c) focaliza o “quem” produz a mensagem, mostrando seu posicionamento e suas impressões pessoais.
d) orienta-se no “para quem” se dirige a mensagem, estimulando a mudança de seu comportamento.
e) enfatiza sobre “o quê” versa a mensagem, apresentada com palavras precisas e objetivas.


Caderno branco: questão 21 / Caderno amarelo: questão 37 / Caderno azul: 30 / Caderno rosa: questão 27

Contranarciso

em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós

LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013.

A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. NO poema, essa nova dimensão revela a

a) ausência de traços identitários.
b) angústica com a solidão em público.
c) valorização da descoberta do “eu” autêntico.
d) percepção da empatia como fator de autoconhecimento.
e) impossibilidade de vivenciar experiências de pertencimento.

Caderno branco: questão 24 / Caderno amarelo: questão 45 / Caderno azul: questão 36 / Caderno rosa: questão 33

gabarito enem 2017 literatura emblema 78

VALENTIM, R. Emblema 78. Acrílico sobre tela. 73 x 100 cm. 19788.
Disponível em: www.espacoarte.com.br. Acesso em: 2 ago. 2012

A obra de Rubem Valentim apresenta emblemas que, baseando-se em signos de religiões afro-brasileiras, se transformam em produção artística. A obra Emblema 78 relaciona-se com o Modernismo em virtude da

a) simplificação das formas da paisagem brasileira.
b) valorização de símbolos do processo de urbanização.
c) fusão de elementos da cultura brasileira com a arte europeia.
d) alusão aos símbolos físicos presentes na bandeira nacional.
e) competição simétrica de elementos relativos à miscigenação racial.

Caderno branco: questão 32 / caderno amarelo: questão 38 / caderno azul: questão 44 / caderno rosa: questão 15

O homem disse, Está a chover, e depois, Quem é você, Não sou daqui, Ainda à procura de comida, Sim, há quatro dias que não comemos, E como sabe que são quatro dias, É um cálculo, Está sozinha, Estou com o meu marido e uns companheiros, Quantos são, Ao todo, sete, Se estão a pensar em ficar conosco, tirem daí o sentido, já somos muitos, Sóestamos de passagem, Donde vêm, Estivermos interanos desde que a cegueira começou, Ah, sim, a quarentena, não serviu de nada, Por que diz isso, Deixaram-nos sair, Houve um incêndio e nesse momento percebemos que os soldados que nos vigiavam tinham desparecido, E saíram, Sim, os vossos soltados devem ter sido dos últimos a cegar, toda a gente está cega, Toda a gente, a cidade toda, o país.

SARAMAGO, J. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

A cena retrata as experiências das personagems em uma país atingido por uma epidemia. No diálogo, a violação de determinadas regras de pontuação

a) revela uma incompatibilidade entre o sistema de pontuação convencional e a produção do gênenro romance.
b) provoca uma leitura equivocada das frases interrogativas e prejudica a verossimilhança.
c) singulariza o estilo do autor e auxilia na representação do ambiente caótico.
d) representa uma exceção às regras do sistema de pontuação canônica.
e) colabora para a construção da identidade do narrador pouco escolarizado.


Caderno branco: questão 34 / Caderno amarelo: questão 13 / Caderno azul: questão 07 / Caderno rosa: questão 42

Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livm adúltero [ … ].

Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver, mas então não pôde mais. O beijo rebentou em so _ luços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.

ASSIS, M. A causa secreta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 9 out. 2015.

No fragmento, o narrador adota um ponto de vista que acompanha a perspectiva de Fortunato. O que singulariza esse procedimento narrativo é o registro do (a)

a) indignação face à suspeita do adultério da esposa.
b) tristeza compartilhada pela perda da mulher amada.
c) espanto diante da desmonstração de afeto de Garcia.
d) prazer da personagem em relação ao sofrimento alheio.
e) superação do ciúme pela comoção decorrente da morte.

 Caderno Branco: questão 47 / caderno amarelo: questão 52 / caderno azul: questão 63 / caderno rosa: questão 75

E venham todos, então, os alegres incendiário de dedos carbonizados! Vamos! Ateiem fogo às estantes das bibliotecas! Desviem o curso dos canais, para inundas os museus! Empnhem as picaretas, os machados, os martelos e deitem abaixo sem piedade as cidades – veneradas!
MARINETTI, F. T. Manifesto futurista. Disponivel em: <www.sibila.com.br>. Acesso em 2 ago. 2012. Adaptado.

Que princípio marcante do Futurismo e comum a várias correntes artísticas e culturais das primeiras três décadas do século XX está destacado no texto?

a) A tradição é uma força incontornável.
b) A arte é expressão da memória coletiva.
c) A modernidade é a superação decisiva da história.
d) A relidade cultural é determinada economicamente.
e) A memória é um elemento crucial da identidade cultural.

E aí, acertou as questões de literatura? Esperamos que a nossa aula tenha ajudado quem teve dúvidas na parte de linguagens da prova. Agora, é esperar o próximo domingo, dia 15 de novembro, quando será realizada a segunda parte do exame para obter o restante das respostas. Você pode conferir logo abaixo a tabela com as respostas do ENEM 2017 em todos os cadernos. Muita sorte a todos!

Confira as respostas no gabarito ENEM 2017 completo



 AmareloE/B BrancaD/E  RosaD/B   AzulD/E
2 D/E D/D E/E D/D
3 D/E C/B D/E C/B
4 C/D D/E C/D D/E
5 D/E E/E D/E E/E
6 B C E B
7 C E C D
8 E B B B
9 C  A B E
10 D D A D
11 A E A A
12 E D E A
13 C E D E
14 B A D C
15 E B C E
16 D E E B
17 A D D D
18 A B E A
19 B B A E
20 E B B B
21 D D A A
22 B B E D
23 B A A E
24 A C B A
25 D A B E
26 E B B D
27 A A D B
28 E  A E B
29 D A D B
30 D  A B D
31 B  E B E
32 B  D A A
33 A  B E B
34 A  D D B
35 B  B A A
36 B  E E E
37 D  D B B
38 C  C B B
39 E  D A A
40 E  D A A
41 A  B E E
42 B  C D D
43 B  E B D
44 A  A E C
45 E E D E
46 C E B C
47 D C A D
48 D A E D
49 A E B E
50 E B E C
51 E C D A
52 C D B D
53 A C D B
54 E E B E
55 B E E D
56 D A D B
57 B D A D
58 D E C B
59 B E D E
60 B A D D
61 A B E A
62 B D C E
63 C D A C
64 B B D A
65 A D B E
66 E B C B
67 B D C D
68 C A C A
69 C E A E
70 C B E B
71 D C C A
72 A C D E
73 E C D D
74 B C E B
75 E D C D
76 D E A B
77 B A E B
78 D E B A
79 B D D B
80 E A B C
81 D E D B
82 A B B A
83 A B B E
84 D E A B
85 B D B C
86 C A C C
87 D B D C
88 D A A C
89 E E E D
90 C C B