BARROCO: RESUMO, CARACTERÍSTICAS, CONTEXTO HISTÓRICO, PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS DA ESCOLA LITERÁRIA

Opa, está procurando mais informações sobre o Barroco dentro da literatura? Veio no lugar certo! Aqui no Vá Ler um Livro você vai aprender tudo esse movimento literário chamado Barraco. Mas antes, dá uma olhada nessa videoaula!

Barroco: Resumo e características da escola literária

Antes do Barraco, a escola literária existente era o Quinhentismo (o nome vem por causa do ano, 1500). Já o Barroco começou em 1600, no século XII.

No Trovadorismo Deus era o centro de tudo, no Humanismo o homem passou a se importar mais com si mesmo. E no período do Barroco as pessoas começaram a se questionar o que elas fariam: acreditar na igreja e na ideia de um Deus todo poderoso ou ou acreditar que o homem está no centro de tudo e viver uma alegre e cheia de pecados? Conhecendo os dois movimentos literários anteriores, fica mais fácil entender por que as pessoas estavam nesse conflito interno, não é? Este conflito é o resumo do barroco em qualquer forma de arte.

Principais característica do barro na literatura:

dualidade/antítese: opostos, como o bem e o mal, céu e inferno etc

pessimismo: Por causa de todas essas dúvidas, os autores do período Barroco se tornaram pessimistas, e isso se refletiu nos textos da época

figuras de linguagem: metáfora, prosopopeia, hipérbole etc

Contexto histórico do Barroco

Arte plástica referente ao barrocoPara entender o movimento literário barroco, temos que lembrar das aulas de história também. Isso porque o que aconteceu naquela época influenciou a literatura. Tudo começou com a Reforma Protestante de Martinho Lutero. Ele propôs várias mudanças na doutrina da Igreja Católica Romana, como por exemplo, colocar essa ideia de que tudo que fazemos é um pecado. Ele deixou as coisas um pouco mais leves nesse sentido, pois quem tinha fé (mesmo que errasse) tinha sua chance de salvação. Obviamente a igreja católica não ficou nada feliz com isso e criou a Contraereforma e a Inquisição. Basicamente saíram caçando todos que não concordavam com suas ideias.

Por isso que no Barroco há tanto essa questão da dualidade e dúvidas, pois as pessoas realmente estavam divididas em quem acreditar e qual doutrina seguir. Consequentemente surgiram dois estilos literários, que você confere a seguir.

Cultismo/ Gongorismo: O que eram?

Como o nome diz, nesse estilo a linguagem é mais culta e rebuscada. Aquelas características que citamos, das figuras de linguagem, aparecem bastante no Cultismo, com muito jogo de palavras. Um dos poetas que influenciou esse estilo foi Luís de Gôngora, por isso o Cultismo também é conhecido como Gongorismo.

 

EXEMPLO DE CULTISMO

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

 Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

(Gregório de Matos)

Conceptismo/Quevedismo: O que eram?

No Conceptismo, o mais importante eram os conceitos, as ideias, os argumentos racionais e o pensamento lógico. Duas características estavam presentes nesse estilo e se destacam: Silogismo e Sofisma. Calma, os nomes são difíceis, mas o conceito é fácil. No Silogismo dois raciocínios geravam uma dedução.


Exemplo: Todo cachorro late (raciocínio 1). Bob é um cachorro (raciocínio 2). Bob late (conclusão).

No Sofisma dois argumentos que partem de uma premissa verdadeira geram uma conclusão que não dá para ser questionada.

Exemplo: Toda menina deve estudar (argumento 1). Maria é uma menina (argumento 2). Maria deve estudar (conclusão).

O principal representante desse estilo é o espanhol Quevedo, por isso o Conceptismo também recebe o nome de Quevedismo.

EXEMPLO DE CONCEPTISMO

Mui grande é o vosso amor e o meu delito;

Porém pode ter fim todo o pecar,

E não o vosso amor, que é infinito.

Essa razão me obriga a confiar

Que, por mais que pequei, neste conflito

Espero em vosso amor de me salvar.”

(Gregório de Matos)

Principais autores do Barraco

Como vocês perceberam, alguns escritores usavam os dois estilos, como o Gregório de Matos. Ele é um dos principais autores do período Barroco, com várias poesias que eram sucesso, mas se você ver por aí alguma menção ao “Boca do Inferno”, não se assuste!  Esse era o apelido dele!

A poesia dele é dividida em três estilos:

lírica-amorosa: uma coisa mais amorzinho, porém também pesada. Seria o “50 Tons de Cinza” dos dias de hoje.

lírico-religiosa: nesse tipo de poesia ele contestava os valores da igreja.

sátiras: nesse estilo ele zuava geral! Tirava sarro de todas as classes, fosse rico, pobre ou a igreja. Daí o apelido de “Boca do Inferno”, pois ele não perdoava ninguém.

Outro autor bastante popular, mas com a prosa, era o Padre Antônio Vieira. Ele realizava um trabalho de catequização dos indígenas, trazendo a literatura para eles. Sua literatura era toda com o estilo conceptista. Dentre as prosas que ele fazia, temos algumas divisões:

sermões: as ideias que ele debatia, inclusive dentro da própria igreja católica, são seus trabalhos mais famosos.

cartas: cartas que ele trocava com outras pessoas

profecias: ideias que ele tinha sobre as questões do Brasil

 

EXEMPLO DE SERMÃO:

Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que “saiu o pregador evangélico a semear” a palavra divina. Bem parece este texto dos livros de Deus ão só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. (…) Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais passos: Exiit seminare. (…) Ora, suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender a falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus? (…)