FUVEST: Exercícios sobre os livros obrigatórios

exercícios sobre os livros obrigatórios da fuvestProcurando exercícios sobre os livros obrigatórios da FUVEST? Neste ano da FUVEST,  a lista de livros obrigatórios mudou. No lugar de Capitães da Areia, entrou o livro Minha Vida de Menina. Os outros livros permanecem os mesmos, mas como você deve saber, revisar os conteúdos da prova nunca é demais, porque uma questão pode fazer toda a diferença para entrar na USP, a universidade mais concorrida do país em muitos cursos. Por isso, nós selecionamos questões sobre cada um dos livros que caem na prova deste ano, para que você possa estudar.

 

 

IRACEMA

A partir da leitura do romance Iracema, e considerando o contexto do Romantismo brasileiro, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S):

1) Ao seduzir e possuir Iracema, Martim está consciente dos seus atos, e isso constitui traição tanto aos seus valores cristãos quanto à hospitalidade de Araquém. Quebra-se aqui, portanto, uma importante característica do Romantismo, a idealização do herói, que jamais comete ações vis.

2) Em Iracema, os elementos humanos e naturais não se mesclam. Nas descrições que faz de Iracema, por exemplo, Alencar evita compará-la a seres da natureza, pois isso seria contrário ao princípio romântico de valorização de uma natureza pura, não contaminada pela presença humana

4)  A adjetivação abundante (“ardente chama”; “intenso fogo”; “tépido ninho”; “vivos rubores”) é uma importante característica da prosa romântica, que será mais tarde evitada por escritores realistas.

8) Ao entregar-se a Martim, Iracema deixa de ser virgem e, portanto, não poderia mais ser a guardiã do segredo da jurema; ainda assim continua a sê-lo, só deixando de preparar e servir a bebida quando Caubi descobre sua gravidez e a expulsa da tribo.

16) Entre as várias manifestações do nacionalismo romântico presentes em Iracema, está o desejo de mostrar o povo brasileiro como híbrido, constituído pela fusão das raças negra, indígena e branca.

32) Além de indianista, Iracema é também um romance histórico; serve assim duplamente ao projeto nacionalista da literatura romântica brasileira.

[MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS]

Nesse livro, ousadamente, varriam-se de um golpe o sentimentalismo superficial, a fictícia unidade da pessoa humana, as frases piegas, o receio de chocar preconceitos, a concepção do predomínio do amor sobre todas as outras paixões; afirmava-se a possibilidade de construir um grande livro sem recorrer à natureza, desdenhava-se a cor local; surgiram afinal homens e mulheres, e não brasileiros (no sentido pitoresco) ou gaúchos, ou nortistas, e, finalmente, mas não menos importante, patenteava-se a influência inglesa em lugar da francesa.

Lúcia Miguel Pereira, História da Literatura Brasileira. Prosa de ficção de 1870 a 1920. Adaptado.

O livro a que se refere a autora é:

a) Memórias de um sargento de milícias.

b) Til.

c) Memórias póstumas de Brás Cubas.

d) O cortiço.

e) A cidade e as serras


O CORTIÇO

E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma pelos olhos enamorados. Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo e torno do corpo dele, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha naquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Aluísio Azevedo, O cortiço

[FUVEST/2009] O efeito expressivo do texto – bem como seu pertencimento ao Naturalismo em literatura – baseiam-se amplamente no procedimento de explorar de modo intensivo aspectos biológicos da natureza. Entre esses procedimentos empregados no texto, só NÃO se encontra a:

a) representação do homem como ser vivo em interação constante com o ambiente.

b) exploração exaustiva dos receptores sensoriais humanos (audição, visão, olfação, gustação), bem como dos receptores mecânicos.

c) figuração variada tanto de plantas quanto de animais, inclusive observados em sua interação.

d) ênfase em processos naturais ligados à reprodução humana e à metamorfose em animais.

e) focalização dos processos de seleção natural como principal força direcionadora do processo evolutivo.

[FUVEST/2009] Para entender as impressões de Jerônimo diante da natureza brasileira, é preciso ter como pressuposto que há:

a) um contraste entre a experiência prévia da personagem e sua vivência da diversidade biológica do país em que agora se encontra.

b) uma continuidade na experiência de vida da personagem, posto que a diversidade biológica aqui e em seu local de origem são muito semelhantes.

c) uma ampliação no universo de conhecimento da personagem, que já tinha vivência de diversidade biológica semelhante, mas a expande aqui.

d) um equívoco na forma como a personagem percebe e vivencia a diversidade biológica local, que não comporta os organismos que ele julga ver.

e) um estreitamento na experiência de vida do personagem, que vem de um local com maior diversidade de ambientes e de organismos.

VIDAS SECAS

Capítulo CVII
Bilhete

“Não houve nada, mas ele suspeita alguma cousa; está muito sério e não fala; agora saiu. Sorriu uma vez somente, para Nhonhô, depois de o fitar muito tempo carrancudo. Não me tratou mal nem bem. Não sei o que vai acontecer; Deus queira que isso passe. Muita cautela por ora, muita cautela.”

Capítulo CVIII

Que se não entende Eis aí o drama, eis aí a ponta da orelha trágica de Shakespeare. Esse retalhinho de papel, garatujado em partes, machucado das mãos, era um documento de análise, que eu não farei neste capítulo, nem no outro, nem talvez em todo o resto do livro. Poderia eu tirar ao leitor o gosto de notar por si mesmo a frieza, a perspicácia e o ânimo dessas poucas linhas traçadas à pressa; e por trás delas a tempestade de outro cérebro, a raiva dissimulada, o desespero que constrange e medita, porque tem de resolver-se na lama, ou no sangue, ou nas lágrimas?

Machado de Assis, Memorias póstumas de Brás Cubas.

(FUVEST 2016) Os seguintes aspectos compositivos considerados pelo narrador excerto: concentração e economia de meios expressivos, orientação realista e analítica, previsão do papel do leitor na construção do sentido do texto, suprindo o que, neste, é implícito ou lacunar, podem também caracterizar, principalmente, a obra:

a) Viagens na minha terra, de Almeida Garret.

b) Memória de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

c) Til, de José de Alencar.

d) Vidas secas, de Graciliano Ramos.

e) Capitães da Areia, de Jorge Amado.




A CIDADE E AS SERRAS

Pois, Grilo, agora realmente bem podemos dizer que o sr. D. Jacinto está firme. O Grilo arredou os óculos para a testa, e levantando para o ar os cinco dedos em curva como pétalas de uma tulipa: Sua Excelência brotou! Profundo sempre o digno preto! Sim! Aquele ressequido galho da Cidade, plantado na Serra, pegara, chupara o húmus do torrão herdado, criara seiva, afundara raízes, engrossara de tronco, atirara ramos, rebentara em flores, forte, sereno, ditoso, benéfico, nobre, dando frutos, derramando sombra. E abrigados pela grande árvore, e por ela nutridos, cem casais* em redor o bendiziam.

Eça de Queirós, A cidade e as serras.

*casal: pequena propriedade rústica; pequeno povoado.

O teor das imagens empregadas no texto para caracterizar a mudança pela qual passara Jacinto indica que a causa principal dessa transformação foi:

a) o retorno a sua terra natal.

b) a conversão religiosa.

c) o trabalho manual na lavoura.

d) a mudança da cidade para o campo.

e) o banimento das inovações tecnológicas.

MINHA VIDA DE MENINA

A respeito do livro de Helena Morley Minha vida de menina, é incorreto afirmar que:

a) Helena Morley é o pseudônimo adotado por Alice Dayrell Caldeira Brant, autora do livro.

b) As narrativas de Minha vida de menina têm como pano de fundo a época em que o Brasil lidava com transformações políticas, sociais e econômicas, tais como a abolição da escravidão, proclamação da república e a decadência da mineração na região de Diamantina, Minas Gerais.

c) Alice Dayrell Caldeira Brant cujo pseudônimo era Helena Morley, autora de Minha vida de menina, nasceu em Diamantina (MG), em 1880, e faleceu no Rio de janeiro, em 1970.

d) Minha vida de menina foi editado a partir de anotações do diário da autora-narradora sobre suas vivências de menina durante os anos de 1893 a 1895.

e) Uma vez que o livro foi lançado em 1942, sua temática está voltada às peculiaridades da década em que ocorreu a Segunda Guerra Mundial.

SAGARANA

(FUVEST) João Guimarães Rosa, em Sagarana, permite ao leitor observar que:

a) explora o folclórico do sertão.
b) em episódios muitas vezes palpitantes surpreende a realidade nos mais leves pormenores e trabalha a linguagem com esmero.
c) limita-se ao quadro do regionalismo brasileiro.
d) é muito sutil na apresentação do cotidiano banal do jagunço.
e) é intimista hermético.

CLARO ENIGMA

(UFPR 2014) O poema “Legado” integra a primeira parte do livro Claro enigma (1951), a que o autor denominou “Entre lobo e cão”.

Legado

Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.

E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.

Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.

De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho.

ANDRADE, Carlos Drummond de, Claro enigma. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 19.

Considerando o poema, sua relação com o livro, e a poética de Carlos Drummond de Andrade, assinale a alternativa correta.



MAYOMBE

Com base na leitura da obra Mayombe de Pepetela não é possível afirmar que:

a)Os personagens são identificados por nomes de combate, os quais marcam as suas característica respectivas. Como exemplos tem-se: o Sem-Medo, Mundo Novo e Teoria.

b)Em cada início de capítulo acontece a apresentação de um personagem relatando sua história de vida, ideologia e o motivo que o fez se ingressar no movimento guerrilheiro.

c)É destacado o sofrimento da personagem por ser mestiça em um mundo que rejeita as diferenças étnicas e misturas raciais.

d)Cada personagem desempenha uma fala individual e concisa mostrando que a harmonia, entre as distintas tribos , permite maior ênfase ao objetivo de libertar Angola de Portugal.

e)O retrato da mulher dá-se por uma desmistificação de idealização feminina. Ela é livre, possui direito de pensar e agir conforme bem desejar.