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Modernismo segunda fase poesia: resumo, características, contexto, principais autores e obras

Para mais sobre o modernismo segunda fase poesia, talvez você queira ver nossas aulas no canal Vá Ler um Livro sobre a primeira fase do modernismo, em que houve uma ruptura em tudo que estava sendo feito até então.

Sobre a segunda geração do movimento literário modernista, mais especificamente sobre a poesia, você pode acompanhar este vídeo e o resumo do modernismo completo logo abaixo.

Resumo e características do modernismo segunda fase poesia

A segunda fase do Modernismo (como movimento literário) é dividida em duas partes: prosa (ou romance de 30) e poesia. Hoje vamos falar sobre a poesia, que se inicia no ano de 1930 e termina em 1945. Se na primeira fase os artistas fizeram uma grande revolução na arte brasileira, os poetas da segunda fase são mais tranquilos e sentimentais.

Ao mesmo tempo, ainda temos a presença de alguns escritores da primeira fase, como Mário e Oswald de Andrade. Agora os poetas querem fazer algo mais intimista e existencial, além de abordar as questões políticas da época.  Outro ponto importante é que os versos eram livres, sem regras.



Contexto Histórico da Segunda Fase do Modernismo – Poesia

Em 1929 houve a quebra da bolsa de valores de Nova York, então todo mundo lá estava sem dinheiro. Aí você se pergunta “e o que nós, brasileiros, temos a ver com isso?”. E eu te respondo: TUDO! Se ninguém nos Estados Unidos tinha dinheiro, quem ia comprar nosso café? Nessa época a produção de café no Brasil estava intensa, e como não havia mais pra quem vender, o governo brasileiro teve até que queimar café!

Enquanto isso, o presidente Washington Luís foi deposto do cargo por um golpe militar, em 1930, e quem assume é Getúlio Vargas. Com isso, muitas pessoas são presas, incluindo diversos artistas, por falarem o que pensam.

E ao mesmo tempo começa também a Segunda Guerra Mundial.

Autores da Segunda Fase do Modernismo – Poesia

Manuel Bandeira

Manuel Bandeira, autor do modernismo segunda fase poesia

Esse autor já estava presente na primeira fase do modernismo, e agora aparece com mais obras na segunda fase. Manuel Bandeira era portador de tuberculose, e não deram muito tempo de vida para ele. Isso é refletido na sua literatura, uma coisa bem “queria estar morta”. Mas olhem só como é a vida… Ele não morreu cedo, pelo contrário! Foi morrer bem idoso já. Mas, a presença de uma poesia existencial está presente em toda sua obra, ele queria deixar um legado da sua literatura para o mundo.

 

EXEMPLO

Testamento

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os…
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!… Não foi de jeito…
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde…
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!



Cecília Meirelles

Cecília Meirelles, Manuel Bandeira, autora do modernismo segunda fase poesia

Assim como nosso amigo Manuel Bandeira, a escritora Cecília Meirelles também aborda questões existencialistas em suas poesias, como a velhice, por exemplo. Em suas obras ela queria explicar tudo que estava acontecendo nada momento, não queria deixar escapar nada.

 

EXEMPLO

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Vinícius de Moraes

Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, autor do modernismo segunda fase poesia

Esse nome com certeza você já ouviu falar! Isso mesmo é o compositor de bossa nova e MPB!

Ele teve duas fases: a primeira com questões mais existencialistas, e a segunda (mais conhecida) que traz erotismo, fala da mulher, uma poesia em forma de soneto.

Como já comentamos aqui, a segunda fase do modernismo ocorreu na época da Segunda Guerra Mundial, e podemos ver em uma das poesias de Vinícius o tema.

 

 

EXEMPLO

A Rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida.
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.



Mário Quintana

Todos temos aquele amigo mais gótico e trevoso, não é mesmo? Pois Mário Quintana era esse amigo dos poetas! Sua obra era mais pesada e melancólica.

Mário Quintana, Manuel Bandeira, autor do modernismo segunda fase poesia

 

EXEMPLO

A Rua dos Cataventos

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Carlos Drummond de Andrade

Um dos poetas brasileiros mais conhecido. Sua obra falava de vários temas, mas principalmente de questões sociais e política.

Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, autor do modernismo segunda fase poesia

 

EXEMPLO

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas

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