Browse By

Modernismo terceira fase: resumo, características, contexto, principais autores e obras

Está com dúvidas do que aconteceu durante a Modernismo Terceira Fase e quer conhecer mais sobre os principais autores e obras da época? Achou o lugar certo! Aqui no Vá Ler Um Livro você vai encontrar um resmo e tudo que precisa saber sobre esse período da nossa literatura.

Que tal antes ver esse vídeo sobre o assunto e depois dar uma olhada no post de resumo completo?

Resumo e características do Modernismo ferceira fase

A terceira fase do Modernismo começou em 1945, e é conhecida também como a “Geração de 45” ou “Geração Contemporânea”, pois ainda é muito atual. Com certeza você deve ter um parente, como uma avó ou bisavô que nasceu nessa época, né? E você vai ver mais para frente nesse post que os autores dessa fase são muito conhecidos até hoje em dia.




Se na Primeira Fase do Modernismo tivemos um momento de ruptura com tudo que estava sendo feito, e na segunda fase, com a prosa e a poesia, foi o momento de trazer mais o regionalismo brasileiro, a terceira fase trata de temas mais sociais/universais, e é mais introspectiva, você sabe tudo o que se passa na cabeça dos personagens.

Contexto Histórico do Modernismo Terceira Fase

Nessa época a Ditadura Militar estava acontecendo, e tudo o que era lançado e publicado tinha que passar por uma avaliação do Governo antes, ou seja, corria o risco de ser censurado e o escritor não lançar sua obra.

Autores do Modernismo Terceira Fase

João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto, um escritor do modernismo terceira fase

Principal nome da poesia na terceira fase do modernismo. João Cabral é autor de “Morte e Vida Severina”, um livro bastante famoso, que conta a história de um homem que sai do sertão e pelo caminho se depara com várias mortes (aqui temos o exemplo de tema universal que era aplicado nessa fase, como a morte).




Esse escritor é conhecido como o “engenheiro das palavras”, pois dava muita importância a elas, e sua literatura tinha uma sonoridade bonita, como podemos ver no exemplo.

Morte e vida severina, obra do modernismo terceira fase

EXEMPLO

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).

Trecho de “Morte e Vida Severina”

 

Guimarães Rosa

Guimarães Rosa, um escritor do modernismo terceira fase

Um dos principais nomes da prosa na terceira fase do modernismo. E olha que curioso: ele não se dizia romancista, e ainda falava que a gramática é a principal inimiga da literatura. Um jeito diferente de enxergar a escrita!

Sua obra mais conhecida é “Grande Sertão: Veredas”, um livro que não há divisão de capítulos, então pode ser um pouco complicado para lê-lo, pois é muita informação! Além disso, ele traz o neologismo, que é a invenção de palavras.

Guimarães Rosa era médico, então dizem que ele levava um caderninho quando ia atender os pacientes, os sertanejos, e anotava as expressões regionais. Porém, ele misturava isso a outras palavras, e assim criava novas! Apesar disso, suas obras tinham temas universais, como amor e morte, então é fácil para qualquer um se identificar e entender.

Grande Sertão Veredas, obra do modernismo terceira fase

EXEMPLO

De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícil, peixe vivo no moquém: quem mói no asp’ro não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei nesse gosto de especular idéia. O diabo existe e não existe. Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso…

Trecho de “Grande Sertão: Veredas”



Clarice Lispector

Clarice Lispector, uma escritora do modernismo terceira fase

Uma das escritoras mais conhecidas dessa fase. Você com certeza já viu por aí na internet alguma frase dela! Também é a mais introspectiva dessa terceira fase do modernismo, você fica sabendo de tudo que o personagem está pensando.

Clarice tem muitas personagens femininas como protagonistas, e passando por coisas que todo mundo passa. Você, mulher, com certeza você vai se identificar em alguma de suas obras. Outra característica da obra dela é sua literatura não tem construção linear, ou seja, não é uma história que tem começo, meio e fim, nessa ordem. Os fatos vão se misturando e não estão em ordem cronológica.

Um sopro de vida, obra do modernismo terceira fase

EXEMPLO

Eu me dou melhor comigo mesma quando estou infeliz: há um encontro. Quando me sinto feliz, parece-me que sou outra. Embora outra da mesma. Outra estranhamente alegre, esfuziante, levemente infeliz é mais tranquilo.

Trecho de “Um sopro de vida”

Saiba mais: